A Grande Volta, tradução de Paulo Autran da peça do belga Serge Kribus, com direção de Marco Ricca, nos mostra um texto bem construído e coeso com aquilo que pretende transmitir ao público.
Nada cansativa, a peça mostra o conflito entre pai e filho. Um ator decadente, Fulvio Stefanini e seu filho Henrique, Rodrigo Lombardi. Ambos trazem uma bagagem genética muito forte que os tornam muito parecidos, aquilo que no princípio evidenciava que não aconteceria assim. Têm os mesmos medos e temem a solidão.
Numa performance impecável, Stefanini vive um ator decadente metido a interpretar Rei Lear, de Shakespeare.
Pai interfere na vida do filho. Filho, que recém descasado, quer viver a sua vida e não pode depois da súbita chegada do pai para dividir o apartamento. Há momentos que a peça beira a comédia, depois entra na emblemática da relação humana.
Um espetáculo para ser visto com bons olhos porque ultimamente é difícil encontrar um texto que não esteja recheado de fórmulas mirabolantes e na busca de riso fácil.
Rodrigo Lombardi mostra que nada fica devendo para o respeitável ator Fúlvio Stefanini.
Produção muito bem cuidada com um cenário que valoriza a interpretação dos dois atores; simples, porém funcional que agrada em cheio. A luz bem acertada torna o espetáculo ainda mais prazeroso de ser assistido.
O ator Luiz Gustavo, que estava na fileira atrás de mim, vibrava a cada cena. À parte, houve o maior burburinho quando um majestoso morcego em seu vôo rasante visitava a plateia, tirando a concentração do público.
Até quando o bicho peçonhento vai atormentar o fiel público do Centro de Convivência? Quando não é o vilão que voa, é a água que corre a revelia plateia e palco abaixo, quando chove.